terça-feira, 22 de maio de 2012


Pe. Henri Boulad, SJ

A Igreja precisa de uma reforma urgente

O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS para a Igreja de hoje em uma carta dirigida a Bento XVI. A carta foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula em meios eclesiais de todo o mundo. Henri Boulad é autor de Deus e o mistério do tempo (Loyola, 2006) e O homem diante da liberdade (Loyola, 1994), entre outros. A carta está publicada no sítio Religión Digital, 31-01-2010. A tradução é do Cepat.
Fonte: UNISINOS

Santo Padre:

Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Você, pois meu coração sangra ao ver o abismo em que a nossa Igreja está se precipitando. Saberá desculpar a minha franqueza filial, inspirada simultaneamente pela “liberdade dos filhos de Deus” a que São Paulo nos convida e pelo amor apaixonado à Igreja.
Agradecer-lhe-ei também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que “são menos cinco” e que a situação não pode esperar mais.
Permite-me, em primeiro lugar, apresentar-me. Sou jesuíta egípcio-libanês do rito melquita e logo farei 78 anos. Há três anos sou reitor do Colégio dos jesuítas no Cairo, após ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de Teologia no Cairo, diretor da Cáritas-Egito e vice-presidente da Cáritas Internacional para o Oriente Médio e a África do Norte.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Curso Bíblico - Evangelhos Sinóticos - 5

Evangelho de Marcos: O Autor e a Obra
Embora nas Bíblias impressas o Evangelho de Mateus seja sempre o primeiro, o Evangelho de Marcos, segundo a maioria dos pesquisadores, é o mais antigo dos textos e foi fonte para os outros evangelhos sinóticos. Por isso, vamos começar por ele o nosso estudo.
Marcos não foi um dos apóstolos chamados diretamente por Jesus, mas conforme testemunhos de escritos do Novo Testamento, foi muito atuante desde as primeiras comunidades, acompanhante de Barnabé, Paulo e Pedro, com quem conviveu em Roma e de quem se tornou interprete.
Depois da morte de Pedro, Marcos recolheu tudo o que podia se lembrar das pregações de Pedro compondo um livro escrito em grego popular provavelmente para a comunidade cristã em Roma, composta por pagãos convertidos ao cristianismo.
Por esse motivo Marcos procura explicar bem dados geográficos da Palestina e também costumes e hábitos do Judaísmo, além de palavras e expressões aramaicas, que são desconhecidas para os destinatários dos seus escritos.
O Evangelho de Marcos não é fruto de pesquisa, mas é a conservação da catequese de Pedro. Essa afirmação dos estudiosos tem por base os vários indícios encontrados no próprio texto.
No entanto, isso não significa que Marcos não tivesse outras fontes orais ou escritas. Ele não foi apenas um auxiliar de Pedro, mas foi um verdadeiro autor, compondo uma obra própria destinada a uma comunidade específica de fiéis seguidores de Cristo.
Destinatários do Evangelho
Muitos estudiosos situam a época dos escritos de Marcos entre a morte de Pedro (64 aC.) e a destruição do Templo (70 a.C), período da guerra entre Judeus e o império romano que vai pôr fim à independência dos Judeus e provocar a destruição de Jerusalém.
Os cristãos são duramente perseguidos. Na Palestina são expulsos das sinagogas, acusados de serem os responsáveis pela destruição do Templo, que acreditavam ter sido permitida por Deus por causa da infidelidade dos judeus que se converteram ao cristianismo.
Também são perseguidos pelos romanos por causa da ordem oficial de Nero, que culpou os cristãos pelo incêndio que ele próprio ateou em Roma, determinando a perseguição ao cristianismo.
A comunidade dos cristãos em Roma, com a morte de Pedro e de Paulo e diante de tantos conflitos, se vê mergulhada em incertezas como podemos conferir em Marcos 4,35-38.
Apesar de ser uma comunidade cheia de esperança na vinda do Reino de Deus, no capítulo 9, 1 podemos ver que pensavam que essa vinda aconteceria em breve e os libertaria de toda aflição.
Assim, deveriam estar prontos para esse dia, sem nenhum apego, decididos a deixar a família e tudo o que possuíssem (Mc 1,17; 2,14-15; 3,13; 6,8-9; 10,21).
Esse modo de ser e de pensar mostra que a comunidade ainda estava mergulhada na visão triunfalista da volta de Jesus, que os libertaria e lhes daria a merecida recompensa.
Eles não queriam saber do escândalo da cruz, do martírio (Mc 8,32), esperavam um Messias triunfal. Havia também conflitos internos de liderança, uma vez que os apóstolos e discípulos diretos de Jesus haviam morrido (Mc 9,34-37; 10,41)
Marcos aponta para a realidade da pregação e da ação de Jesus. É preciso buscar o sentido de sua missão, para que a comunidade o veja não como um rei poderoso. Cristo, segundo Marcos se revela como um Filho de Deus, com a tarefa de instaurar o Reino de Deus na história da humanidade.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Curso Bíblico à Distância - Evangelhos Sinóticos 4

ESPÍRITO DOS EVANGELHOS
Vamos entender bem o espírito dos evangelhos, porque eles foram escritos, quer dizer, sua finalidade. Cada um dos evangelistas tem uma intenção e muitas motivações para escrever sua obra.
A Igreja primitiva recolheu os livros que vinham dos apóstolos e que contêm o que eles receberam de Jesus. São esses que o magistério da Igreja reconhece como os únicos inspirados e nos apresenta como fundamento da nossa fé.
O Concílio Vaticano II nos diz que, em todas as suas fases, o Evangelho foi sempre uma “pregação”, sem a preocupação historiográfica dos historiadores, que querem apresentar um acontecimento a partir das provas que tem do mesmo.
O pregador apresenta fatos passados, mas trazendo um ensinamento que responde aos desafios e às questões da realidade vivida pela comunidade. Na pregação, os destinatários da mensagem são aqueles que a ouvem, em qualquer tempo e lugar.
Vamos ver agora um esquema que mostra bem a composição dos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas:
Nesse esquema podemos ver que o Evangelho de Marcos foi escrito antes de Mateus e Lucas, e serviu de fonte para eles. Podemos ver também a relação entre os evangelhos de Mateus e Lucas e suas fontes.
O evangelho de Mateus possui 600 versículos paralelos ao evangelho de Marcos, 230 versículos provenientes da Fonte Q, e que são paralelos a Lucas, e 238 versículos de fonte própria.
O evangelho de Lucas possui 330 versículos paralelos a Marcos, 230 provenientes da fonte Q, que são paralelos a Mateus, e 589 versículos de Fonte Própria.
É devido a essa semelhança entre os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas que eles são denominados Evangelhos Sinóticos. A palavra “sinótico” vem do grego syn-ótikos, que significa “visão de conjunto”.
Os três evangelhos têm a mesma ordem de conteúdo, dividida em quatro partes:
Preparação para o ministério público de Jesus: Mc 1,1-13; Mt 3,1-4,11; Lc 3,1-4,13
Ministério de Jesus na Galiléia: Mc 1,14-9,50; Mt 4,12-18,35; Lc 4,14-9,50
Viagem de Jesus para Jerusalém: Mc 10,1-52; Mt 19,1-20,34; Lc 9,51-l8,43
Paixão, morte e ressurreição: Mc 11,1-1-i6,20; Mt 21,1-28,20; Lc 19,1-24,53
O Evangelho escrito por João, ao que tudo indica, não segue as mesmas fontes e nem o mesmo esquema, motivo pelo qual é estudado separadamente.

domingo, 3 de outubro de 2010

Curso Bíblico à Distância - Evangelhos Sinóticos - aula 3

Dando prosseguimento ao nosso Curso Bíblico sobre os EVANGELHOS SINÓTICOS, vamos dar continuidade à Introdução procurando explicar como os textos dos evangelhos foram compostos, isto é, como foram reunidos diferentes escritos sobre as atividades de Jesus que as comunidades conheciam.


AS COLEÇÕES DOS ESCRITOS DOS EVANGELHOS

Vamos entender como os textos foram compostos em forma de coleções, que podem ser divididas por sua forma peculiar de apresentar a mensagem e a ação de Jesus nos seus anos de vida pública.

No primeiro século da era cristã, depois da morte de Jesus, as novas comunidades que vão surgindo começam a se preocupar em escrever sobre o que lembravam da ação e dos ensinamentos de Jesus, que até esse momento era apenas transmitido de forma oral. Começa então a surgir algumas coleções de escritos:

  • Coleções de milagres (Mt 8-9; Mc 4,35-5,43) 
  • Coleção de parábolas (Mc 4)
  • Coleção de discussões de Jesus com grupos variados (Mc 2,1-37; 11,27-12,44) 
  • Coleções de palavras de Jesus (Mt 5-7; Jô 4-17)

Embora ao organizar as coleções não houvesse preocupação com sua cronologia, isto é, em apresentá-las na ordem temporal em que aconteceram, ao inseri-las nos textos evangélicos elas são apresentadas com outros textos, formando uma sequência que vai do início da missão de Jesus, até a sua morte e ressurreição. Assim, não podemos ler o Evangelho como se fosse uma história cronológica, onde as coisas aconteceram exatamente no tempo e da forma como são narradas.

Por volta dos anos 60 a 70 a maioria daqueles que conviveram com Jesus já havia morrido, a maioria martirizada, o que vai acelerar o processo de escrita e a organização desses textos.

O primeiro evangelho escrito de forma organizada foi escrito por Marcos, por volta dos anos 68 a 70. Depois dele surge o de Mateus e o de Lucas, escritos por volta da década de 80. Esses dois evangelistas conheceram o evangelho escrito por Marcos, e fizeram dele uma fonte importante, buscando compor seus evangelhos a partir dos escritos de Marcos.

Porém, o evangelho de Marcos não é a única fonte de reflexão. Tanto Mateus quanto Lucas têm outras fontes, coleções de escritos próprias e também uma outra fonte comum aos dois, chamada fonte Q – que é uma coleção denominada Quelle, que em alemão significa “fonte”, e que se perdeu ao longo do tempo.

Mas vejam bem, os evangelhos não são cópias de outros textos, mas são frutos da reflexão dos escritos, a partir da vida e dos desafios das comunidades que geram e também são as destinatárias dos evangelhos.

São reconhecidos como “Evangelho” apenas os quatro textos de origem apostólica, isto é, que apresentam a pregação dos apóstolos. Isso não significa que eles tenham sido os escritores, pois na cultura judaica era comum atribuir-se a pessoas destacadas da comunidade a autoria dos escritos.

Outros textos surgiram posteriormente, mas embora trouxessem o nome de evangelho e ostentassem o nome de um apóstolo como se fossem escritos por ele, não possuíam fundamento histórico, mostravam grande atração pela realização de milagres surpreendentes, até mesmo propondo ensinamentos cheios de mistério, diferente do que foi pregado pelos apóstolos. Esses textos foram denominados “Evangelhos apócrifos”, que significa “postos a parte”.

[Continua no próximo mês. Envie suas dúvidas para teologiasantana@gmail.com que responderei. Guarde os textos e no final terá uma apostila. As aulas anteriores você no Blog da Teo em Curso Bíblico – Sinóticos]

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dia das Eleições

Neste dia o Brasil todo se movimenta, principalmente porque aqui o voto é obrigatório, para eleger os nossos novos representantes, no Estado e no País. O voto deve tornar a Nação mais conforme com a vontade do Senhor, mais justa e fraterna.
O nosso voto deve ser mais ético. Mas o que entendemos com isto? Ele deve expressar, de forma esclarecida e consciente, a nossa cidadania, superando os desencantos com a política, elegendo pessoas comprometidas com o respeito à vida, à família e à dignidade humana.
Podemos colaborar na construção de um país melhor, mais coerente na administração de sua riqueza e de seus bens. Por isto é importante ir às urnas e votar com liberdade, como expressão de fé e cidadania, sabendo do resultado de tudo isto.
A escolha de bons candidatos é como a escolha do bem ou do mal. Isto significa que o voto tem uma dimensão de fé e de presença de Deus. O que está em jogo é a preocupação com o ser humano. Assim, não podemos dar crédito a pessoas hostis à dignidade das pessoas.
A hora é de colocar a confiança em Deus e agir com a força da fé. Muitos eleitos têm sido pessoas inúteis e até perniciosas para o Brasil. Agim com atitudes farisaicas, com aparência de ovelhas, mas com prática de lobos ferozes.
Quem não tem o coração disponível para Deus e para os princípios de sua Palavra, não é apto para representar autenticamente a população. Os seus objetivos, com facilidade, se tornam reducionistas, servindo a si mesmo e a seu grupo de interesse.
A fé e o voto são atitudes pessoais, com postura de liberdade. Aí se fundamentam os parâmetros da vida cristã e cidadã. Votar então com fé, sabendo que este é o caminho da autoridade credenciada e confirmada por Deus.
Não podemos abandonar nossas raízes cristãs nas horas decisivas da vida. Deus está sempre presente se estamos também com ele. É a fé que nos dá lucidez, olhos abertos, confiança e comprometimento com as necessidades do nosso povo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Curso Bíblico à Distância - Evangelhos Sinóticos - Aula 2

No mês de agosto começamos um Curso Bíblico sobre os EVANGELHOS SINÓTICOS, nome dado ao conjunto dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, apresentando uma Introdução ao Novo Testamento. Neste mês prosseguimos com essa introdução.

Do Evangelho aos evangelhos.

Vejamos o significado da palavra “Evangelho”. Ela é uma transliteração do termo grego “euangelion”, que significa Boa Notícia. Eu = algo bom. Angelion é derivado de ângelos = mensageiro. Angelion = notícia (o que o mensageiro leva).

Com significado de Boa Notícia encontramos esse termo nas Cartas de Paulo, usado para se referir ao conteúdo da pregação sobre Jesus. Nesse sentido, na Carta aos Gálatas (Gl 1,6-11), Paulo adverte que o Evangelho de Jesus é um só, é o poder de Deus para a salvação daqueles que crêem (Romanos 1,16), é a palavra que age sobre os que nela acreditam (I Tessalonicenses 2,13). Assim, o significado de Evangelho em Paulo é a própria vida de Jesus. Ele mesmo é a Boa Nova do Pai.

No entanto, essa palavra tem também um outro significado. Quando nos referimos aos textos escritos no Novo Testamento a palavra evangelho designa também um gênero literário, além do próprio conteúdo que é a Boa Nova de Jesus. Neste sentido temos quatro evangelhos, quatro livros que apresentam uma única Boa Notícia, o desenvolvimento do Querigma, de formas diversas, apropriadas ao contexto cotidiano da comunidade a que se destina e ao objetivo do autor.

No entanto, essa palavra só foi usada no plural pela primeira vez por São Justino, em + ou – 165 (a.C), dando origem à palavra evangelista, para designar os autores dos quatro evangelhos.

Importante agora é conhecer as diferentes fases do Evangelho e a história da redação deles para entender a forma adotada para cada um. O Concilio Vaticano II, por meio da Constituição dogmática “Dei Verbum” nos parágrafos18 e 19, registra três etapas ou fases do Evangelho, cada qual com características próprias.

A 1ª fase é o anúncio feito pelo próprio Jesus, que não escreveu nenhuma linha, mas fazia uma pregação oral e mais importante que isso era sua própria presença. Era na pedagogia de Jesus que se manifestava o Reino e fazia com que todos compreendessem o que dizia.

A 2ª fase é o anúncio feito pelos Apóstolos, que foram testemunhas dos feitos de Jesus. Embora, enquanto estavam com Ele, os apóstolos compreendessem apenas de forma limitada o que Jesus dizia e fazia como podemos ver em diversas passagens. Podemos conferir em Mateus 26,69-75; em Marcos 14,10; e em Lucas 22,24

Somente depois da ressurreição de Jesus e da vinda do Espírito Santo é que os apóstolos experimentam uma grande transformação de fé e compreendem o verdadeiro sentido de tudo que haviam visto e ouvido – como Jesus afirma em João 16,12-13 e também em 14,26 – e passam a anunciar o Evangelho, pregando de forma clara, bem explicada e até mesmo ligando os acontecimentos da vida de Jesus com o que se lia nas Sagradas Escrituras, o Querigma em todo o seu sentido. Desse modo, fica claro que os evangelhos não são a biografia de Jesus, e que não foram escritos enquanto Jesus estava vivo.

Os ensinamentos e ditos de Jesus contidos nos evangelhos foram transmitidos de boca em boca, na catequese, nas celebrações e em outras oportunidades, quando os discípulos de Jesus se reuniam em comunidade. Essa transmissão não era a repetição dos fatos, eventos acontecidos ou palavras ditas. Era apresentada para ajudar a comunidade trilhar o caminho de Jesus. Servia também para o testemunho de vida dos discípulos.

A 3ª fase é a da redação, dos escritores. Com o passar do tempo e o martírio dos apóstolos, houve a necessidade de reunir os ensinamentos e reflexões para que não se perdessem, registrando por escrito tanto para preservar quanto para levar a outros lugares e comunidades.

[Continua no próximo mês. Envie suas dúvidas para teologiasantana@gmail.com que responderei. Guarde os textos e no final terá uma apostila.]

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

COMISSÃO DA CNBB DIVULGA APELO AOS BRASILEIROS

A SITUAÇÃO DA DEFESA DA VIDA
sdv@pesquisasedocumentos.com

Esta mensagem da CNBB, traz um alerta necessário à defesa da vida.
Leia e compartilhe com seus todas as pessoas de suas relações.

COMISSÃO DA CNBB DIVULGA APELO AOS BRASILEIROS

A Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que abrange as 41 dioceses do Estado de São Paulo, presidida por Dom José Simão, ex-diretor da Faculdade de Teologia da Arquidiocese de São Paulo e atualmente bispo de Assis (SP), acaba de divulgar um APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS, sobre o envolvimento do atual governo com a promoção do aborto.

O documento, que pode ser obtido pela internet em arquivo PDF, está sendo distribuído nas ruas, nos faróis, nas escolas, faculdades, nas portas dos órgãos de imprensa, enfim, onde e para onde quer que conduza a criatividade daqueles que lutam pela preservação da vida e pelos mais elementares princípios da verdadeira liberdade humana.
O original do documento encontra-se no site da Diocese de Assis, no seguinte endereço:

http://www.diocesedeassis.org/index.php?option=com_content&view=article&id=169:apelo-a-todos-os-brasileiros

O documento da Comissão em Defesa da Vida relaciona parte de uma longa série de ações do atual governo, as quais evidenciam o envolvimento direto deste governo com a promoção do aborto.

O APELO AOS BRASILEIROS é uma resposta irreplicável aos comentários da candidata Dilma Rousseff, a qual declarou recentemente à imprensa que "TANTO EU QUANTO O PRESIDENTE LULA NÃO DEFENDEMOS O ABORTO. DEFENDEMOS O CUMPRIMENTO ESTRITO DA LEI".

http://www1.folha.uol.com.br/poder/770779-dilma-nega-defender-aborto-e-diz-que-opiniao-de-bispo-nao-e-uma-posicao-da-cnbb.shtml

DILMA ROUSSEFF MENTE DE MODO FRANCO, ABERTO E VERGONHOSO SOBRE O ENVOLVIMENTO DE SEU GOVERNO E DE SEU PARTIDO COM A PROMOÇÃO DO ABORTO NO BRASIL, CONFIANDO NA CUMPLICIDADE DOS QUE NÃO DIVULGARÃO A VERDADE, NÃO IMPORTA SE AMPLAMENTE DOCUMENTADA.

SE VOCÊ ADMINISTRA UM SITE CATÓLICO OU EVANGÉLICO, COPIE E PUBLIQUE EM SEU SITE O APELO AOS BRASILEIROS E BRASILEIROS.

SE VOCÊ É PASTOR DE ALGUMA IGREJA OU PARÓQUIA, IMPRIMA O DOCUMENTO E DISTRIBUA-O ENTRE OS SEUS FIÉIS.

Cópias do documento em PDF para impressão podem ser obtidas neste endereço, e estão sendo livremente divulgadas em vários outros sites:

http://www.pesquisasedocumentos.com.br/apelobrasileirosbrasileiras.pdf

Além da ações elencadas no documento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poucos dias antes das declarações da candidata, acabava de elaborar e aprovar um documento, no âmbito do direito internacional, que propõe para todos os governos da América Latina, inclusive o Brasil, a completa legalização do aborto. O documento, previamente apresentado pela Ministra Nilcéia Freire ao presidente Lula na quarta feira dia 14 de julho, denominado CONSENSO DE BRASÍLIA, foi aprovado na sexta feira, dia 16 de julho de 2010, em Brasília, por ocasião da conclusão da XIª Conferencia Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, promovida pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU) e organizada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Lula.
No dia 5 de agosto de 2010 os deputados Paes de Lira (PTC-SP), Talmir Rodrigues (PV-SP) e Miguel Martini (PHS-MG) apresentaram ao Congresso Nacional o Projeto de Decreto Legislativo PDC 2840/2010, que susta os efeitos gerados pelo documento "Consenso de Brasília".

http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=484558

Assista aqui um vídeo que exibe as denúncias apresentadas pelos deputados a favor da vida no Plenário da Câmara, apontando a ilegalidade do Consenso de Brasília, que pretende agora NÃO APENAS PROMOVER O ABORTO NO BRASIL, COMO TAMBÉM EM TODA A AMÉRICA LATINA:

http://www.youtube.com/watch?v=0K4TPKZiyVc

E, mesmo com tudo isso, a candidata Dilma Rousseff insiste em mentir ao povo brasileiro afirmando que NEM ELA, NEM O PRESIDENTE LULA, JAMAIS DEFENDERAM O ABORTO, LIMITANDO-SE APENAS AO ESTRITO CUMPRIMENTO DA LEI!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Curso Bíblico - Evangelhos Sinóticos

A partir deste mês, vamos publicar um Curso Bíblico, iniciando com os EVANGELHOS SINÓTICOS, que representam o conjunto dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.

Nas primeiras aulas, faremos uma Introdução ao  Novo Testamento, pois para compreendermos bem a mensagem desses evangelistas devemos entender o significado do Novo Testamento.

Introdução ao Novo Testamento
A aliança que Deus fez com a humanidade desde o início jamais foi revogada, apesar do ser humano ter se afastado do caminho proposto por Deus.
Assim, as Escrituras Hebraicas, que chamamos de Antigo Testamento, não devem ser vistas como ultrapassadas ou coadjuvantes, servindo apenas para dar respaldo ao Novo Testamento. Ao contrário, precisamos compreender sua mensagem, a ação salvífica de Deus em favor da humanidade, que se revela desde sua criação e que vai se realizar plenamente em Jesus Cristo.
O Antigo Testamento é depositário dessa verdade, da aliança única que Cristo vai selar definitivamente com seu sangue. Dessa forma, jamais devemos usar as passagens do Antigo Testamento para justificar o Novo, mas devemos buscar nelas sua própria verdade teológica.
Outra coisa que precisa ser bem entendida é com relação à forma em que as Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento se apresentam.
Os textos bíblicos são inspirados por Deus, frutos da experiência de fé do povo. Isto é, Deus inspira nos corações o sentir e o agir humanos segundo seu projeto, e a inspiração lhes dá o discernimento diante dos desafios da realidade. Não é um ditado de palavras, mas um ardor que nasce no coração e se manifesta no clamor do povo. 
Por isso, antes de ser escrita a Palavra de Deus é vivida, transmitida boca a boca, de geração a geração. E ao ser escrita, a palavra é gerada no contexto histórico-cultural da comunidade que a escreve, com os olhos voltados para aqueles a quem ela se destina.
É por isso que nunca devemos tomar a palavra escrita na Bíblia ao pé da letra, pois corremos o risco de perder o sentido próprio da Palavra de Deus, perder a verdade que Ele nos transmite.
“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura! (Mc 16,15)”. Esse é o mandato de Jesus aos discípulos, e é também a vocação e missão de todo cristão. Sabemos que o Evangelho é a Boa Nova, mas qual é essa Boa Nova? São os milagres e os ensinamentos de Jesus?
A Boa Nova é o próprio Jesus, o Filho de Deus feito homem, que se encarna na humanidade para salvá-la, como diz o Catecismo da Igreja Católica nos parágrafos 457 a 461. Esse é o Querigma, a mensagem cristã que é o núcleo central de toda a evangelização.
Os feitos, ditos e milagres de Jesus são sinais de que a chegada do Reino de Deus está acontecendo e que Jesus é o Messias enviado para restaurar a aliança definitiva entre a humanidade e Deus.
É essa a verdade que devemos anunciar: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1,15; cf. em MT 10,7-8 e Lc 24,46-47).
Os evangelistas se sentem envolvidos por essa missão. Eles não podem silenciar e sentem que a mensagem de Deus continua a lhes inspirar para seguir pregando. Mas precisam ser fiéis a tudo que viram e ouviram. Assim, eles começam a contar as histórias que viveram juntamente com Jesus, mas usando palavras, figuras e imagens que são compreendidas pela a comunidade.
[Continuaremos no próximo mês. Mas se você tiver alguma dúvida, envie sua dúvida para teologiasantana@gmail.com que responderei. Copie e guarde esse texto que no final você terá uma apostila]

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ganhar ou Perder

“Ganhar ou Perder” eis a questão!
Todas as pessoas buscam a FELICIDADE. E essa ânsia é própria do ser humano, pois fomos criados para sermos felizes. No entanto, atrelamos essa felicidade ao binômio “ganhar ou perder”.
Quando ganhamos algo, seja o que for – um presente, um aumento de salário, uma promoção, um elogio, um prêmio, uma namorada, um amigo, uma companheira, um carinho, um gesto de amor – algo que reconhecemos como um bem, nós expressamos um sentimento de satisfação, de alegria, e o identificamos com a felicidade.
Por outro lado, quando perdemos algo – um emprego, uma promoção, uma competição, um parente, uma pessoa querida, o carinho ou amor de alguém – nós nos sentimos derrotados, e expressamos sentimentos de frustração, tristeza e até depressão, e nos dizemos infelizes.
Olhando por essa ótica, ninguém poderá ser inteiramente feliz, pois na nossa vida “ganhar ou perder” é uma constante, faz parte do jogo de escolhas que devemos fazer diariamente. E essas escolhas vão determinar o que ganhamos e o que perdemos.
No entanto, quando confrontamos essa identificação da FELICIDADE com o binômio “GANHAR ou PERDER” do ponto de vista da fé, encontramos um paradoxo.
Jesus veio ao mundo para a salvação da humanidade. Encarnou-se no seio de um povo – o povo judeu – e a eles deu seu testemunho de amor. Porém, a maioria dos judeus não entendeu a proposta de Jesus e por causa disso Ele foi condenado, crucificado e morto na cruz.
Do ponto de vista do “ganhar ou perder”, Jesus era um vencedor ou um perdedor? E Ele era feliz ou infeliz?
Certamente isso nos deixa desconcertados. Pela ótica da racionalidade humana, Jesus não alcançou seu objetivo, não venceu, pois a morte representava uma derrota, portanto não era feliz.
No entanto, a ótica de Deus é diferente da nossa, Ele não mede o sucesso, não avalia ganhos e perdas. Deus deseja o triunfo de todos, mas esse triunfo não está ligado a vencer ou perder.
É o triunfo de Deus que traz a felicidade.
Triunfar não é ganhar algo ou alcançar um posto. O triunfo não é refém do poder, nem está ligado ao sucesso, ele é maior que a vitória. Triunfar é ser fiel a si mesmo, é não abrir mão da própria consciência, nem abandonar os princípios e valores que norteiam nossa vida. Triunfar é não fazer concessões apenas para agradar a sociedade no intuito de alcançar reconhecimento e satisfação.
O projeto de felicidade de Deus não é um projeto de orgulho ou vaidade, que diferencia as pessoas em vencedoras e perdedoras. O projeto de Deus é um projeto de amor. Amor a si mesmo e ao outro, amor que nos faz iguais, apesar das vitórias e derrotas que sofremos. É também um projeto de paz, que nasce do respeito por si e pelo outro.
 Assim, Jesus triunfou. Apesar de perder a vida, Ele não perdeu o amor do Pai, ele foi fiel ao seu projeto, que certamente não era um projeto de morte, mas de vida. Mesmo diante de todo descaso e sofrimento Jesus era feliz porque estava em paz consigo mesmo e, dessa forma, em paz com Deus.
A paz de Deus não se apresenta pela ausência de conflitos, mas pela presença do amor compassivo e misericordioso, que nos faz solidários aos irmãos, humildes diante de Deus, como foi Jesus.
 “Pai perdoai-os porque não sabem o que fazem”; “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu Espírito”; essas duas frases de Jesus, proclamadas no alto da cruz mostram a essência do bem maior que Jesus veio nos revelar, a Lei do Amor, que é maior que qualquer outra lei. Amor que perdoa; Amor que se entrega. Foi esse Amor que salvou a humanidade. E será sempre a fidelidade a esse Amor que levará a pessoa humana ao triunfo e à Felicidade, ainda que aos olhos do mundo ela não seja uma vencedora.
A FELICIDADE está dentro de nós, e para encontrá-la basta encontrar-nos com Deus que em nós habita.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Festa de Corpus Christi

 Corpus Christi é uma expressão latina que significa Corpo de Cristo. É também o nome dado á festa que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
Essa festa é realizada anualmente na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. É uma festa de 'preceito', isto é, para os cristãos católicos é obrigatória a participação na Celebração Eucarística nesse dia.
Geralmente as comunidades católicas fazem uma procissão pelas vias públicas após a celebração da Missa, que atende a uma recomendação do Código de Direito Canônico (cân. 944) que determina ao Bispo diocesano que a providencie, onde for possível, "para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo."
A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao Século XIII. Nesse período a Igreja sentiu a necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado, para por fim à proliferação de doutrinas heréticas sobre o assunto.
A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, pois o Papa morreu em seguida. No entanto, a festa se propagou por algumas igrejas. Em Colônia na Alemanha, a Festa de Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270, onde surgiu o costume da procissão e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma a procissão acontece desde 1350.
Em muitas cidades brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa. Esta festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas, que se revestem de práticas antigas e tradicionais e que são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.
Hoje, celebrar a Festa de Corpus Christi deveria significar celebrar a comunhão da comunidade cristã que se reune em torno da Eucarístia e por ela é alimentada para viver a partilha e a solidariedade que promovem a justiça e a paz. A santa Eucaristia não aprisiona o Espírito de Jesus, mas é substancialmente seu Corpo e seu Sangue, memorial do Cristo, da sua vida, da sua ação, da sua missão, para que todos aqueles que creem e dela se alimentam façam da própria vida memória de Jesus e sejam “sal da terra e luz do mundo”
Adorar a santa Eucaristia só tem sentido se essa adoração for traduzida na partilha do pão: pão alimento, pão educação, pão moradia, pão saúde, pão da vida digna.
Assim, verdadeiramente estaremos fazendo memória de Jesus Cristo e honrando seu Corpo e Sangue.

domingo, 30 de maio de 2010

Festa da Santíssima Trindade

 No domingo seguinte ao da Festa de Pentecostes, celebra-se a Festa da Santíssima Trindade, do Deus Único que se manifesta em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo.
Esse é um dos mistérios mais instigantes da nossa fé, e como diz a lenda de Santo Agostinho, é mais fácil colocar toda a água do mar em um pequeno buraco do que entender o mistério da Santíssima Trindade.
Não temos a intenção de desvendar esse mistério, mas de jogar um pouco de luz sobre ele, para facilitar a sua compreensão.
Primeiro vamos ver qual o significado da palavra "pessoa". Para São Tomás de Aquino, pessoa é distinção e relação. Isso significa que pessoa é aquela que tendo natureza distinta está em relação com toda a natureza. Ou seja, pessoa é o ser que se relaciona sem perder o que a distingue dos demais.
O nosso Deus, único e supremo, não é um Deus distante, mas um Deus próximo, que caminha com seu povo, que ouve seu clamor e deseja que sejam felizes. Nosso Deus é um Deus amoroso e compassivo, que se relaciona com o mundo criado.
Ele é o Criador, que imprime todos os seus dons na obra prima da criação. E por amor faz do ser humano sua imagem e semelhança.
A própria afirmação de que Deus nos criou por amor já traz embutida em si a relação do Criador com a criação, pois o amor é sempre um ato de relação. Temos portanto, em Deus Criador a primeira Pessoa, aquela que se relaciona com toda a criação.
Porém, a relação de Deus com a criatura, envolta pelo mistério que Ele representa para o racional humano, necessita de mediação.
Surge então Jesus, o Cristo, que emana de Deus para encarnar-se na dimensão humana, o Filho, segunda Pessoa na relacão com Deus Pai que também está em relação com o Homem (Humanidade).
Ambos, Pai e Filho são único Deus, mesma essência que se manifesta em duas Pessoas (Jo 14, 10-11).
Quando Jesus volta para o Pai, Ele cumpre a promessa feita a seus discípulos, de enviar-lhes o paráclito que estará sempre com eles (Jo 14, 16-18) e com todos os que crerem. Jesus dá seu Espírito, sopra Espírito Santo no mundo (Jo 20,19-22), o Espírito que emana do Filho e do Pai, terceira Pessoa da Trindade que vai perpetuar a relação de Deus com a Humanidade.
Três Pessoas em um só Deus!
Celebrar a Festa da Santíssima Trindade é celebrar o imenso amor de Deus Único por nós, um Amor tão grande que se fez Trino para estar em constante relação com a nossa Humanidade.

domingo, 23 de maio de 2010

A Festa de Pentecostes - Atos dos Apóstolos 2, 1-13

A Festa de Pentecostes representa para nós cristãos a inauguração da Igreja, povo de Deus reunido por Cristo e movido pelo seu Espírito.
Com a morte de Jesus, os discípulos se dispersaram e muitos ficaram decepcionados pois esperavam que Jesus fosse o Messias vitorioso que os libertaria do jugo do Império Romano e ao contrário ele foi preso e morto.
Aqueles que haviam convivido mais de perto com Jesus, os apóstolos, foram pouco a pouco fazendo a experiência de que Jesus, apesar de morrer como um maldito, estava vivo, pois Deus o ressuscitara, provando que Ele era de fato o Cristo. Movidos por essa certeza, os apóstolos foram novamente se reunindo às escondidas, com medo da reação dos outros, mas fiéis a Jesus e aos seus ensinamentos.
A Festa de Pentecostes era uma das festas mais importantes para os israelitas, juntamente com a Festa da Páscoa. Era a Festa da Colheita, uma festa agrária, dedicada exclusivamente a Javé (Dt 16,10), onde eram oferecidas as primícias de toda colheita como sinal do reconhecimento de que Deus era o Doador da terra e a Fonte de tudo que ela produzia, Fonte de todo bem (Lv 23,11).
Na Festa da Colheita o povo de Israel celebrava o ciclo da vida e reconhecia que a Palavra de Deus estava na origem de toda a vida: da semente, da árvore, do fruto, do alimento.
Era uma festa "ecumênica", aberta a todos, os produtores rurais e seus familiares, os trabalhadores do campo, os pobres, os levitas e também os estrangeiros (Dt 16,11). Essa festa celebrava a ação de Deus que cria e sustenta a vida do mundo criado, e tinha por objetivo manter vivo o espírito de fraternidade, o compromisso com Deus e com a comunidade, a partilha dos dons recebidos e o agradecimento pelas bênçãos.
Com o tempo, essa festa, que era realizada 50 dias após a Festa da Páscoa (por isso o nome pentecostes, que em grego significa cinquenta dias depois) tornou-se também a celebração da aliança feita com Deus no deserto, depois da libertação do Egito, quando receberam as Tábuas da Lei. Assim, durante as sete semanas que a festa durava, os israelitas também estudavam a Torá, que é o Livro da Lei (esse livro reune os cinco primeiros livros da Bíblia, também chamados de Pentateuco). Para os israelitas, a manifestação do Espírito de Deus sempre esteve diretamente relacionada ao estudo da Lei (cf. Salmos 19 e 119).
Os apóstolos estavam reunidos para a Festa do Pentecoste, certamente se dedicando ao estudo da Torá, quando a força do Espírito lhes tira todo medo, inflamando seus corações e lhes dando todo entendimento que os fez sair para o meio do povo e começar a anunciar a Boa Nova de Jesus (At 2, 1-13).
A partir desse momento surge uma nova comunidade, aberta a todos aqueles que se deixavam inflamar pela força do Espírito e seguiam o caminho de Jesus. O novo "Povo de Deus", não mais disperso pela diferença de nação, de raça ou de língua como em Babel (Gn 11, 1-9), mas unidos de tal forma que podiam se entender apesar dessas diferenças(At 2, 8). E esse novo povo vai viver unido num só coração (At 2, 46).

domingo, 9 de maio de 2010

Mãe, imagem humana de Deus

Neste mês, muito se ouve falar sobre mãe, cantada em verso e prosa. Muitas serão as justas homenagens àquela que é responsável por dar continuidade ao projeto criador de Deus.
Em tempo de grandes avanços científicos, onde há filhos de proveta, a criação humana continua vinculada à dependência da mãe, daquela que acolhe e abriga em seu seio a vida latente de um óvulo fecundado, para dar continuidade à criação humana, e depois cuida com desvelo para que possa crescer em estatura e graça diante de Deus.
Por que Deus teria confiado à mulher tão grande missão?
Para responder a essa questão, vamos recorrer ao que disse o Papa João Paulo I, na hora do Ângelus, aos fiéis que estavam na praça de São Pedro no dia 10 de setembro de 1978: “Ele é papá; mais ainda, é mãe. Que traduzido significa: Ele (Deus) é papai; mais que isso, é mãe.
Deus é Pai e Mãe! O Papa João Paulo I foi o primeiro a ter a coragem de, num mundo machista dominado pelo poder patriarcal, proclamar uma imagem feminina de Deus e afirmar seu amor materno. E não falou isso sem provas, não cometeu nenhuma heresia esse santo de Deus, mas falou tendo o respaldo das Escrituras.
Vamos tomar como exemplos algumas afirmações que Jesus faz a respeito de Deus.
Na parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 11-32), embora se fale de pai, suas atitudes são de mãe, seu amor incondicional é de mãe. Como fala João Paulo I, “Os filhos, se por acaso estão doentes, possuem um título a mais para serem amados pela mãe”. O coração da mãe é um coração compassivo, como o de Deus, “lento para a cólera e rico em bondade” (Sl 103,8). Assim, a espera ansiosa, diária, pelo filho perdido, somada à imensa alegria que faz correr na sua direção e abraçá-lo sem pedir explicações nem querer ouvir seu pedido de perdão porque já está perdoado, e além de tudo festejar a sua volta, é indiscutivelmente um gesto materno, que põe em questão o modelo patriarcal da sociedade daquela época e de todas as épocas.
No texto do evangelho de João (Jo 3,1-7), Jesus diz a Nicodemos que é preciso nascer de novo para entrar no Reino de Deus, ao que Nicodemos questiona: “Como pode alguém nascer, se já é velho? Ele poderá entrar uma segunda vez no ventre de sua mãe para nascer?”. Podemos ver que Nicodemos entende o que Jesus fala a partir de uma imagem feminina, do útero da mãe é a única forma de se nascer. E Jesus não o repreende nem corrige, ao contrário, faz um paralelo entre nascer da carne e nascer do Espírito, reforçando a necessidade de nascer de novo, de um novo modo de ser: “O que nasceu da carne é carne; o que nasceu do Espírito é espírito”. Assim, Jesus amplia a imagem materna quando explica que quem nasce da mulher é humano, enquanto quem nasce do Espírito é divino. Ele apresenta o Deus único que é Espírito como a divina mãe.
Da mesma forma como esses, podemos encontrar outros textos bíblicos que trazem a imagem de Deus Mãe.
Não pretendemos com isso escandalizar ou negar a imagem masculina de Deus, pois Ele é o ser completo, o Espírito que dá vida a partir da própria vida, e por isso fez o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher.
Queremos apenas mostrar porque a mãe mulher é a imagem humana de Deus, e porque Ele confiou a elas tal missão, a maior e mais bela de todas as missões, a de ser junto com Ele cocriadora da humanidade.
É por isso que devemos devotar às nossas mães todo o nosso amor, nossa gratidão e nosso respeito. Felizes aqueles que têm uma mãe e com elas aprendem a amar, a perdoar, a se doar, pois estão no caminho de Deus.

domingo, 2 de maio de 2010

5º Domingo da Páscoa: Jo 13, 31-35

O Mandamento do Amor
O Evangelho de Jesus Cristo segundo João, no capítulo 13, versículos 34 e 35, traz um novo mandamento, que vem dar cumprimento à Lei da Antiga Aliança, tornando-a plena. É a Lei do Amor, a lei maior que deve reger toda a vida humana, a vida cristã. A Lei da Nova Aliança que deve ser seguida por todos aqueles que se dizem discípulos de Jesus.
Será essa lei que distinguirá uns de outros, “vejam como eles se amam”. Jesus afirmou: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.
No evangelho segundo Mateus, capítulo 22, versículos 34 a 40, diante do questionamento de fariseus, Jesus já apresenta a Lei do Amor, porém na perspectiva judaica, pois o ensinamento se destinava aos fariseus e Mateus escreve para uma comunidade de Judeus convertidos.
No entanto, diante da iminência da sua morte, Jesus deixa para os apóstolos o seu testamento, a maior de todas as leis, aquela que brota do coração de Deus e da qual o Cristo deu testemunho: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Esse mandamento é primordial na identificação daqueles que se dizem cristãos. É a partir dele que todo cristão deve pautar a própria vida e anunciar o Evangelho de Jesus.
Assim sendo, para viver como discípulo de Jesus é preciso viver como ele viveu, olhando sua pedagogia de vida, seu modo de acolher as pessoas, seu jeito de tratar o próximo, suas atitudes em relação aos outros.
Jesus é o protagonista da sua própria história, age movido apenas pela sabedoria que vem do Pai, sua pedagogia é a pedagogia de Deus, por isso impregnada de amor ágape, aquele que se basta, que não exige reciprocidade, não coloca limites nem impõe condições. Ele acolhe todas as pessoas indiscriminadamente, creiam nele ou não, professem a mesma fé ou não, pertençam ao seu povo ou não, sejam tementes a Deus ou não, simplesmente acolhe porque são criaturas do Pai. Ele jamais despede de mãos vazias aqueles que dele se aproximam, mas a todos dá um pouco do seu amor, seja por meio dos milagres que lhes devolvem a dignidade de ser humano, seja por meio da atenção que resgata a condição de pessoa para aqueles que estavam excluídos.
Jesus não julga, não condena, não impõe um fardo pesado a ninguém, Ele é todo amor, compaixão e misericórdia. Assim devem ser os seus seguidores.
Diante dessa verdade, todos aqueles que se dizem discípulos devem se questionar: Qual a imagem de Cristo eu reflito para os outros? Qual a minha disposição diante do próximo? Como eu vivo o Mandamento do Amor?
Toda sociedade, congregação, comunidade humana necessita de regras e normas para conviver, porém nenhuma regra ou norma é maior que o Mandamento do Amor e nenhuma pode se impor a ele, nem mesmo se estabelecida por autoridades religiosas, pois Jesus é a Cabeça, é dele o poder, a honra e a glória para sempre.

domingo, 25 de abril de 2010

Artigo do Cardeal D. Odilo Pedro Scherer

 Muito mais que pedofilia.

As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca… A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de São Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.
As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.
O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.
Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!
Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?
As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse São Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!
A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.
E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.
Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!
[ Cardeal Odilo Pedro Scherer é Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo/SP.
Fonte: Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010.]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Palestra de Anselm Grün

[O texto publicado a seguir é de autoria de Carlos Seino, que fez um apanhado da Palestra do Monge Anselm Grün, proferida no dia 12 de abril, no Santuário de São Judas Tadeu. O texto foi postado no blog "Nos passos de Jesus": http//nospassosdejesus.blogspot.com]


"Grun começou falando sobre o significado do termo espiritualidade, sustentando, a grosso modo, que a espiritualidade é viver conforme o Espírito de Deus. Que é um desvio muito grande na espiritualidade a idéia de perfeição absoluta e ausência de erros. Explicou que o Espírito, em nós, é uma fonte inesgotável de vida, que tem pelo menos cinco características: esta fonte refresca; é saudável; fortifica; é fértil e purifica. Explicou, com rápidas palavras, cada uma destas características.
Após, também falou das virtudes espirituais como fontes de espiritualidade, notadamente as chamadas virtudes teologais (fé, esperança e amor).
A fé, entre outras definições, é saber-se carregado por Deus. Que tudo o quanto precismos decidir deve ser colocado com fé diante de Deus. É uma confiança de que sou abençoado e de que sou também uma benção. Viver pela fé também me ensina a ter fé nas pessoas, esperando delas o que de melhor podem dar para Deus e para o próximo. Ver em cada pessoa a imagem do Deus vivo. Citou um teólogo judeu que diz que não há linguagem sem fé, nem fé sem linguagem. A linguagem da fé é uma linguagem que aquece o coração de quem fala e de quem ouve.
Uma imagem muito viva do que ele disse é que na relação de confiança é como se construíssemos uma casa em que o outro pode se sentir a vontade e se abrir. A relação como um lugar de conforto, de transparência. A palavra permeada pela fé constrói uma casa.
A outra virtude teologal é a esperança (que é diferente de expectativa). Discorreu sobre a esperança em diversos aspectos da vida. Não ter esperança é o inferno (Dante). A esperança valoriza o nosso fazer; tudo o que faz sentido na vida deve ser feito com esperança.
A terceira virtude teologal, que é fonte de espiritualidade, é o amor, a caridade, que não é moralizante, mas sim uma fonte de vida, de confiança. Falou sobre o aspecto esvaziante e preenchedor do amor, que confia mesmo quando sabe que não dará certo. Que é um desafio nos tornarmos todo amor, assim como Deus é amor.
Depois, Grün falou sobre os caminhos concretos da espiritualidade, ou seja, os rituais.
Discorreu sobre o "acender de uma vela", sobre o criar um espaço sagrado que nos mantém retirados do poder do mundo.
Lembrou-nos de que sagrado também tem a ver com "sanar", com cura.
Também discorreu sobre o nosso "tempo sagrado", ou seja, o momento em que eu sou absolutamente senhor do meu tempo, não importa o quão pequeno ele possa ser. Um momento para eu afirmar, juntamente com Deus, que eu estou vivendo, e não simplesmente sendo vivido. Quem vive somente para preencher as expectativas alheias vive uma vida amarga.
Grün também falou dos rituais que nos ligam aos nossos antepassados, dando o exemplo de sua própria família que há mais de um século, no Natal, realiza os mesmos rituais. Que uma alma que perdeu suas raízes pode se tornar uma alma deprimida. Enfatizou que os rituais nos levam ao encontro.
Enfatizou a importãncia de rituais que abram as portas e que fechem as portas, tanto no início como no fim de ciclos, sejam eles diários, ou por maior período de tempo. A idéia é que eu esteja completamente presente no momento. Rituais simples de saída do trabalho, chegada no lar, etc.
Os rituais que transformam o mundo trazem Deus para dentro de nossa vida, e nossa vida leva Deus para as pessoas.
Também ensinou que a celebraçáo litúrgica tem uma dimensão um tanto quanto terapêutica.
Sobre a oração, falou desta como um sinal de relacionamento, que me põe em contato com Deus e me prepara para a relação com o meu próximo. Na oração, não sou deixado sozinho com meus problemas, com minhas crises, com minhas questões. Na oração, abro-me do jeito que eu sou. Há cura no momento de encontro com Deus.
A ascese, segundo o monge alemão, é o exercício da liberdade interior. Citando Freud, disse que, aquele que não renuncia a nada não saberá sentir o sabor das coisas.
Também falou sobre o ano litúrgico, de como ele pode se tornar um sistema terapêutico. No calendário litúrgico, entramos em contato com um ritmo. O advento, por exemplo, é o momento do desejo, da busca. O natal, é o momento litúrgico do nascimento de Deus na alma humana. Recomeça novamente a vida de Deus em nossas vidas. A Quaresma, que é o tempo da purificação, pratico o exercício da liberdade interior. A Páscoa, é o momento da vida plena, onde a vida floresce em nós.
Observou também que todos os sacramentos da igreja (no catolicismo, são sete) remetem o ser à uma maior qualidade de vida espiritual, visto que os tais acompanham os fiéis por toda a vida. Que na eucarístia, por exemplo, além de todas as outras figuras, celebramos a nossa própria transformação interior. Que no cálice, transformamos as nossas amarguras na vida de um doce amor. A morte e a ressurreição do Cristo opera uma transformação em nós onde não há dureza de coração que não possa mudar-nos, onde o errado recomeça, onde não há túmulo em que a vida não possa ressurgir, onde nossa vida é preenchida de esperança... E assim foi."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Santo Expedito

 No dia 19 de abril se celebra o Dia de Santo Expedito, padroeiro das causas urgentes.
Ele foi comandante-chefe da XII Legião Romana, aquartelada no distrito de Melitene, na Capadócia, sede de uma das províncias romanas da Armênia, no final do século III. Hoje uma pequena localidade chamada Melatia.
A legião era formanda em sua maioria por soldados cristãos, sendo sua função primordial defender as fronteiras orientais contra os ataques dos bárbaros asiáticos. Santo Expedito destacou-se no comando dessa legião por suas virtudes de cristão e de chefe ligado a sua religião, a seu dever, à ordem e à disciplina.
Antes de sua conversão ao Cristianismo, tinha uma vida devassa e, quando prestes a converter-se, apareceu-lhe um espírito do mal, na forma de um corvo, grasnando "cras" - que em latim significa "amanhã". Mas esse grande santo pisoteou o corvo, bradando "hodie", que significa "hoje", confirmando sua urgente conversão.
Convertido, assim como toda a sua tropa, foi vítima da ira do imperador Diocleciano. A importância de seu posto fazia dele um alvo especial do ódio do imperador. Foi flagelado até sangrar e depois decapitado com espada, em 19 de abril de 303 d.c.
A devoção à memória de Santo Expedito começou em sua pátria, tomando proporção maior e atingindo o Oriente, depois o Ocidente, especialmente a Alemanha. Seu nome espalhou-se pela Itália, Espanha, França e Bélgica. Em 1894, teve um altar dedicado a ele na Capela das Religiosas Mínimas com sua estátua.
Crê-se que Santo Expedito ajuda pessoas com problemas urgentes e de difícil solução. O Santo é também protetor dos militares, estudantes, jovens e viajantes. (Texto retirado da Wikipédia)
No Brasil, a devoção a Santo Expedito se espalhou por todos os cantos do país,animada pela crença de que para agradecer uma graça alcançada era necessário imprimir mais de mil santinhos com a oração milagrosa e a imagem do santo.
A pobreza da maioria da população brasileira, sempre às voltas com a falta de dinheiro necessário para ter vida digna, foi o rastilho de polvora que fez e continua fazendo o povo buscar incansavelmente por um milagre urgente que lhes devolva condições de vida plena.
Nosso povo clama a Deus, por meio de Santo Expedito, neste deserto de condições para ter uma vida digna, com emprego que lhes garanta comida, educação, moradia, segurança e lazer. E Deus não se omite.
Santo Expedito é símbolo tanto do clamor do povo quanto do acolhimento de Deus.
Aqueles que se encontram em posição mais privilegiada na sociedade, não podem se omitir diante do clamor do povo, pois esse é também o clamor de Deus, mas devem assumir a mesma postura de Expedito, não deixando a própria conversão para amanhã, mas se colocando a serviço da justiça e da caridade hoje, vivendo a solidariedade e a comunhão dos filhos de Deus, buscando transformar a realidade para que todos tenham direito à vida, e vida em abundância.

sábado, 17 de abril de 2010

O que é Catequese.

 O termo CATEQUESE é comum na pastoral da Igreja Católica, geralmente significando o período de formação voltado aos sacramentos, especialmente à Primeira Eucaristia e ao Crisma.
No entanto, ao estudarmos os Documentos da Igreja e em especial o Diretório da Catequese, fica claro que o seu significado é bem mais amplo.
A catequese é um processo permanente de educação na fé que se realiza em primeiro lugar na família, com o apoio da comunidade cristã, onde o catequisando é protagonista desse processo, que tem como meta gerar uma história de amor que leva ao relacionamento íntimo com Deus e faz de cada um sujeito da própria transformação.
A catequese só se realiza pela imersão na pedagogia de Jesus e na pedagogia de Deus, a pedagogia do amor, do acolhimento, da esperança, da compaixão. Essa imersão se dá em primeiro lugar pelo TESTEMUNHO de vida. A este se segue o ANÚNCIO e  finalmente se completa com a EXPERIÊNCIA da presença e do amor de Deus.
A experiência de Fé leva a pessoa e a comunidade a crer conscientemente, de tal forma que se sinta encorajada a viver radicalmente a proposta evangélica, comprometendo-se com a ação profética que denuncia tudo que não está conforme a vontade de Deus, e anuncia a sua presença no mundo, tornando a própria vida o espaço sagrado onde se dá o encontro com o Pai.
O objetivo primordial da Catequese é levar ao amadurecimento da Fé, que se processa ao longo da vida em distintas etapas, respeitando o tempo necessário a cada um, e dando autonomia às pessoas para que possam compreender por si mesmas qual o caminho a seguir para que se tornem verdadeiros discípulos de Jesus.

Tributo à Santidade

Todo cristão é chamado a perseguir a meta da santidade, ”Sede santos como vosso Pai do Céu é Santo” disse Jesus a seus discípulos.
Porém, o espírito de verdadeira santidade foi se perdendo no tempo.
O que Jesus quis dizer quando convidou os discípulos à santidade? Certamente ele não se referia à perfeição do ser, pois só Deus é perfeito e a Ele pertence toda a perfeição. Também não devia ser nenhuma menção a não pecar, pois, embora deva estar em constante alerta para evitar o pecado, o ser humano é limitado e sua limitação o torna pecador, suscetível às tentações, por isso é chamado à constante conversão.
Quando Jesus afirma que devemos ser santos como o Pai, ele se refere ao “amor”, aquele amor maior, ágape de Deus, que olha para cada ser humano com compaixão e se entrega na busca do perdão e da vida plena para todos.
Esse amor que derruba todas as barreiras e que rompe todas as fronteiras para ir ao encontro do outro. Amor sem discriminação, sem exclusão, sem imposição. Amor pleno que transborda diante das situações de miséria humana, seja ele de ordem material, social, psicológica ou espiritual e se transforma em bálsamo que alivia a dor e o sofrimento.
 É santo todo aquele que vive o amor em plenitude, dedicando-se a espalhar sementes de vida plena em todos os cantos, assumindo a causa dos irmãos, principalmente os mais pobres e esquecidos.
E hoje, em pleno século XXI, nós podemos afirmar com toda a certeza que tivemos no meio de nós, dando testemunho de santidade, uma Mulher Santa: Zilda Arns.
Ela não deixou o mundo moderno refugiando-se na vida religiosa para poder servir ao próximo, ao contrário, mergulhou no estudo e tornou-se doutora em medicina para salvar os irmãos mais pequeninos. Ela não abriu mão de sua sexualidade para viver um voto de castidade, mas foi casta gerando uma família que soube ser fiel ao amor de Deus. Ela não ingressou em nenhuma congregação para se tornar missionária, mas assumiu a missão de ir ao encontro dos irmãos mais pobres aonde eles estivessem. Ela não buscou aprender teologia para poder evangelizar, mas fez Teologia na vida ao mostrar Deus aos pobres em seus gestos de amor.  Ela não almejou alcançar o céu com suas orações, mas levou um pedaçinho desse a cada criança a quem devolveu a chance de viver, fazendo da própria vida uma oração.
Assim viveu Zilda Arns, uma mulher comum com um amor incomum pela vida humana. Ela foi o maior exemplo de santidade deste século. E como todos os verdadeiros santos, morreu em meio à sua missão: levar vida onde havia morte; levar solidariedade onde havia miséria humana; levar luz onde havia trevas. E hoje, sem dúvida, já está participando da comunhão dos santos, desfrutando da glória de Deus.
Ouso dizer que, se não sabemos ser santos como o Pai celeste, podemos ser santos e santas como Zilda Arns foi.
Zilda Arns, defensora da vida e protetora das crianças, rogai por nós!